Sábado, Novembro 27, 2004
dunbar chiappin
Dona Belquis e seu Almeida
Tarde de sábado, o seu Almeida ouvindo bolero no último lá na sala. No quintal a moçada traça um jovem-churrasco, onde até salchicha valia, pura larica, e chega a dona Belquis, do cabeleireiro, cabelo embobado, semi-pronto para o que der e vier, qualquer esperança vale.
Entra na sala falando mais alto que o bolero e seu Almeida lhe estende o braço, "ora direis ouvir estrelas, minha santa"
-Você bebeu! recaiu, não aguentou, bola-murcha...
-Que é isso, princesa, vem aqui sentir o bafo do teu dono que não te trai não...
-Bafo de bêbado não!, traste..
Ah..., esse Almeida, não passa mais que um mês sem aprontar. Mas o amigo dos filhos, o Pé Verde, tava na copa ao lado, vendo a cena chama dona Belquis e vai avisando, bebeu não não tia, pior, o Almeidinha aprontou, parece que deu êxtase pro tiozão aquietar e não atrapalhar o churra.
-É intorpecente, filho? Vicia? Ele já é meio alcoólatra...
-Né não, tia, num vicia. É um baratão maneiro, na gente dá vontade de dançar, nos coroa parece que dá bobeira, olhaí, ó... e tem um lado viagrão.
-De Viagra?...
-É, mas parece que pega mais cabeça...
.
-Hummm. Ah, o Almeidinha me paga, num respeita nada. num tem moral, nem parece que nasceu nessa casa... Vem cá, o que dá pra pra curar esse infeliz?
-aí vai da pessoa...
Dona Belquis sempre tirou leite de pedra do Almeida um zero à esquerda, nunca ajudou ninguém, sempre sendo acodido, um traste que não servia. Para quase nada.
- Ô Almeida, vem pra cá vem, vamos tomar um banho e descansar um pouco...
-Pegou o chicotinho, bem?
Publicado
por <$Thomaz Magalhães$> em Sábado, Novembro 27, 2004
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Segunda-feira, Novembro 22, 2004
Passo aí depois e dou uma mijadinha, se for o caso.
Entra em baixo da coberta, se encaixa, dá uma rodada e deita. Levanta, espera, dá outra rodada, deita de novo, se aconhega, mais uma rodada e...pronto. Está no jeito. O vizinho chega pela entrada de serviço, coisa que o faz sair num pulo só, feito um míssil, latindo estridendemente, volume que sugere um ser três vezes maior que ele.
Mas está muito boa aquela ajeitada, então só bota o focinho pra fora da coberta e dá uma latida breve e protocolar. Está dado o recado, pensa, ao vizinho cotidiano. Outra hora mais oportuna vou aí defender meu território quando você chegar. Ou passo de repente para dar uma mijadinha e marca-lo.
Tem gente assim também não tem?
Publicado
por <$Thomaz Magalhães$> em Segunda-feira, Novembro 22, 2004
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Quarta-feira, Novembro 03, 2004
CRASSE MÉDIA
(Por Don Thomaz, um santo exmédio)
Quem sois vós?
Boa hora para discutir o conceito atual de classe média. Até o presidente Lula quer saber, mandou investigar, que classe é essa. Que elegeu o Serra, e ninguém contava existir, pois seguramente nenhum de nós aqui dos folguedos na Internet pertence a ela. Para situar geograficamente na metrópole paulistana uma famíla com este perfil, eles moram na altura do número 14.000 (de 14 km) da Av. Teotônio Vilella, que começa depois do Autódromo de Interlagos ou seja, nos cafundós da paulicéia.
Mas não é favela nem eles são os pobres da Marta Suplicy. Aliás não gostam de ser chamados assim, fazem questão do título de classe média, porque ao contrário de nós são os que progridem ( burgueses ), que reformam a casa, têm toda linha branca de eletrodomésticos, TV, Vídeo, Som e Karaokê. Fazem as faculdades santas margaridas. Mas não lêm o Estadão, a Folha, não conhecem o Diogo Mainardi da Veja, não têm TV a cabo, usam internet escondido no trabalho e só têm celular pré. Tiraram a Marta da prefeitura porque são contra esses programas sociais leva-leite, traz-o-bolo, busca-o-pão e renda fácil, para eles dinheiro desperdiçado de seus impostos, iguais aos nossos. Porque no bairro deles há eficiente serviço de correio, para trazer as contas. Justiça? Varia entre a nossa, para cobrar as contas, e a do cão, para assuntos locais.
E Quem somos nós?
Somos a classe despencada, da região central, dos jardins, itaims, morumbis, paraisos, higienóplis, acusados de votar no Serra, de ser contra os pograma social. Não temos nome, nossos filhos com boa educação estão caindo na cabeça dos filhos dessa tal classe média, disputando com eles empregos que pagam salários que nos deixam pasmos. Salários que os permite progredir e aos nossos não. Filhos de 25 anos que se sairem de nossas casas tem que começar a vida lá nos cafundós, no padrão deles, de guerreiros que lutam a boa luta. Isso não acontece porque dividimos nossa sobrevivência com eles, não viajamos, não consumimos, não esbanjamos e não erramos e nem gargalhamos como fazíamos. Nós somos a sobra.
NOTA: Isso é uma crônica, uma visão literária ou Bonzo, ou Gonzo do tema, como dizem os jovens jornalistas. Qualquer semelhança com a realidade pode ser coincidência.
Publicado
por <$Thomaz Magalhães$> em Quarta-feira, Novembro 03, 2004
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