Domingo, Novembro 02, 2008
no lixo da
reforma cristã
Vem agora da análise arqueológica, obtida de escavações feitas no monastério de Wittenberg, que foi também a residência de Martinho Lutero, mais informações sobre o monge da Ordem de Santo Agostinho, o pai da Reforma cristã, da cisão que resultou na criação das Igrejas Protestantes. Revelam-se e comprovam-se fatos e idéias, em medidas que agradam e desagrada a católicos e protestantes. Retomando umas e outras afirmações, como a de que o corpulento monge Lutero estava sentado no vaso sanitário do Monastério, usando o hábito preto de sua Ordem, quando foi assaltado pelo conceito fundamenta das idéias reformistas.
Ele mesmo observou, note-se, em dois discursos (nº 1681 e 3232b), que o Protestantismo nasceu no esgoto: "O spiritus sanctus revelou sua criação a mim nesta cloaca." Alguns historiadores atenuaram a confissão do próprio Lutero, argumentando que a palavra "cloaca" poder ser interpretada como "banheiro", e que talvez fosse um termo mais geral para dizer "este mundo". Mas a verdade é mesmo de mau gosto, assim como o mestre havia contado. As escavações no Monastério de Wittenberg descobriram não apenas os restos do antigo estúdio de Lutero, mas também "um pequeno buraco de latrina com uma tampa" no porão.
Falastrão e blasfêmico
Essas descobertas resultam de uma escavação arqueológica que começou em 2003 e terminou há algumas semanas com a análise final do sítio arqueológico. Historiadores da arquitetura, especialistas em cerâmica e zoólogos desvendaram o lixo da cozinha do homem cujas teorias mudaram o mundo, e que se referia a si mesmo com orgulho como o "doutor acima de todos os doutores de todo o papado. "Lutero, herói nacional alemão, foi tema de dezenas de biografias. Sua tradução da Bíblia para o alemão foi tão influente quanto suas blasfêmias são memoráveis.
Agora os arqueólogos descobriram novas informações surpreendentes sobre o reformador religioso em três diferentes sítios de escavação: O chão da casa em que Lutero nasceu, na cidade de Eisleben; A casa de seus pais na cidade de Mansfeld; e a propriedade em Wittenberg, onde o ex-monge viveu com sua mulher e seus seis filhos. As escavações revelaram brinquedos e restos de comida, pratos quebrados e grãos (datados do ano 1500, pelo método C14). Os arqueólogos também encontraram a aliança de casamento de sua mulher e uma poupança de 250 moedas de prata. Esse objetos coletados estão na exposição, em andamento, do Museu de Pré-História do Estado Alemão. O catálogo descreve o conteúdo da exibição como "sensacional", dizendo que ele nos permite reexaminar "capítulos inteiros da vida humana", informa hoje matéria distribuída pela agência noticiosa estatal alemã Deutsche Welle.
Importante como a diferença entre prego e tachinha
Obviamente essa releitura arqueológica, baseada na “bisbilhotagem” no lixo do fundador da igreja Protestante não foi encarada com entusiasmo pelas congregações protestantes dentro da Alemanha. Nem fora, provavelmente. Para elas, a idéia de que a família de Lutero jogava gatos mortos no lixo da casa é tão irrelevante, do ponto de vista religioso, quanto a suspeita de que Lutero, quando era monge, tenha pregado suas teses na parede da igreja do castelo com tachas e não com pregos. Mas o lixo da casa de Lutero não deve ser subestimado. Parte dele, analisado com o uso de métodos de criminologia, está relacionado aos trabalhos intelectuais do reformista, e revela até mesmo que ele nem sempre foi totalmente honesto.
Por exemplo, Lutero mentiu sobre as circunstâncias sociais de seus pais. Ele dizia que era filho de um "minerador pobre" que se matava de trabalhar nas minas com sua picareta, e que "minha mãe carregava toda a madeira nas costas até em casa". Mas isso está longe da verdade. O pai de Lutero já era dono de um moinho de cobre quando jovem, enquanto sua mãe vinha de uma família burguesa em Eisenach e tinha boas conexões com a administração real das minas. O tamanho e grandiosidade de sua casa, conforme revelou a escavação, estavam de acordo com seu status econômico. A frente da casa, que dava para a rua, tinha 25 metros de comprimento. A escavação revelou grandes cofres no porão e um quintal cercado por grandes construções. Era o jovem Martinho e seus irmãos brincaram, cercados de gansos e galinhas. Os fragmentos do sítio revelaram que eles brincavam com arco e flecha, bolinhas de gude de barro e pinos de boliche feitos de ossos de boi - brinquedos que nem toda família era capaz de comprar na época.
Olhando para si, criou o protestantismo
Foi um olhar psicanalítico para o próprio umbigo que levou o monge Martinho Lutero o a perder sua antiga crença na certeza da fé. Seus pensamentos hereges incluíram então as cartas de indulgência que os cristãos usavam para comprar da Igreja a redenção de seus pecados. Ao fazer isso, Lutero estava atacando o sangue vital do Vaticano. A Igreja ganhava milhões com as cartas.
E seu rompimento final com a Igreja veio durante a "experiência da torre" em 1516. Lutero estava convencido de que o homem poderia receber a redenção apenas através da "graça" de Deus, e não por meio de pagamentos e bons atos. De acordo com o seu ponto de vista, o homem era um servo indigno, sempre tentado pelo mal. A crença que nasceu repentinamente no monge de Wittenberg enquanto ele estava sentado na privada foi a de que Jesus havia trazido a salvação para os homens apesar dos pecados destes.
As 95 teses resultantes, pregadas na porta a abadia no ano seguinte, dia 31 de outubro de 1517, rapidamente incendiaram a Europa do início do século 16. O imperador ameaçou condenar o insurgente à morte, mas Lutero escondeu-se no Castelo de Wartburg, onde continuou a escrever. Ele declarou inválidos todos exceto dois dos sete sacramentos (o batismo e a eucaristia), e criticou o culto às relíquias como sendo uma "coisa morta".
Perseguido e condenado pelo papa, mesmo assim Lutero não parou de produzir. Três anos depois, em 20 de novembro de 1520 publicou "A Liberdade de um Cristão". As duas teses que Lutero desenvolve nesse tratado são aparentemente contraditórias. Mas na verdade, são complementares:"O cristão é um senhor libérrimo sobre tudo, a ninguém sujeito"; "O cristão é um servo oficiosíssimo de tudo, a todos sujeito". A primeira delas é válida na fé; a segunda, no amor.
Proibir o casamento, o mesmo que proibir defecar
O escândalo começou a atrair cada vez mais pessoas, quebrando a unidade da cristandade. O Mosteiro de Wittenberg fechou suas portas em 1522. O prédio foi dado a Lutero para uso próprio. Ele se estabeleceu ali depois de casar-se com a ex-freira católica Catherine von Bora, a quem ele se referia de forma excêntrica como "Senhor Käthe". Ele não se interessava mais pelo celibato, que argumentava ser contra a natureza. A Cúria, argumentava, poderia "com a mesma facilidade ter proibido o ato de defecar".
Lutero era tremendamente prolífico, escrevendo uma média de 1.800 páginas por ano. Seu tom tornou-se cada vez mais brusco com o passar dos anos. Ele chamou os turcos de "demônios", os judeus de "mentirosos" e os padres gays de "irmãos de jardim que fazem aquilo uns com os outros". Roma, escreveu, estava cercada de "porcos-teólogos".
Glutão e triste
Após escrever palavras tão afiadas, o eloqüente reformista, mostram agora os estudos arqueológicos, comia em tigelas de cerâmica e bebia de jarras turcas magníficas. Os arqueólogos encontraram azulejos de forno decorados com motivos do Velho Testamento, além de mais de 1.600 cacos de copos que Lutero, um glutão voraz, usava para matar sua sede considerável de cerveja. Lutero precisava anestesiar suas emoções. Os ataques da reforma contra o cerne apostólico lhe custaram muito. Ele era constantemente tentado pela tristeza.
Afastava seus demônios com um peido
Em momentos de remorso, Lutero sofria com a certeza de que o demônio estava tentando convencê-lo a revogar suas idéias. Sua resposta imediata era jogar tinteiros no demônio ou recorrer ao poder de suas entranhas: "Mas eu resisti ao demônio, e freqüentemente mando ele embora com um peido". Pelos seus inúmeros conflitos com o papa, não é nenhuma surpresa que o estresse tenha devastado a saúde de Lutero. Ele sofria de reumatismo e pedras no rim. Estava tão fraco que era levado para seus discursos de carroça. Ele também sofria de angina pectoris, o que o tornava ansioso. Quando veio a gota, escrever tornou-se cada vez mais difícil.Além disso, havia a obesidade. A princípio, o doutor pesava 100 quilos, depois 120, e finalmente, cerca de 150 quilos. Ele foi se deteriorando gradualmente e em seu leito de morte disse humildemente: "Somos apenas mendigos".
Publicado
por <$Thomaz Magalhães$> em Domingo, Novembro 02, 2008
Comente
aqui:
Sexta-feira, Março 24, 2006
Insulto
Ao executar a pintura de uma mulher usando o véu e segurando um porco no colo, a artista Sarah Maple, de 23 anos, quis "abraçar várias culturas" a partir de sua dupla condição de britânica e muçulmana. Para certos setores da comunidade islâmica, esse quadro e as cerca de 30 obras que a jovem expõe em uma galeria em Londres, cheias de referências irreverentes à religião e ao sexo, representam "um insulto em nome da arte".
Os radicais islâmicos ainda não botaram fogo na galeria onde Maple expõe. Mas o local, no bairro de Notting Hill, já teve quebrados, semana pasada, aporta e a vitrine. "Temo por minha segurança, mas não quero me deixar intimidar". Maple se define simplesmente como uma jovem da era da globalização, "uma britânica muçulmana que adaptou sem problemas sua religião ao ambiente ocidental, que também é seu", informa matéria no jornal espahol El País.
Obras como o próprio auto-retrato da artista, com o cabelo escondido pelo véu, e os sugestivos seios da modelo Kate Moss sobrepostos à imagem, não caíram nada bem entre os que professam sua religião. "Quis proclamar que usar o jihab não é melhor nem pior. Meu trabalho trata de minha identidade dupla, como filha de um britânico e de uma muçulmana, e o contraste entre as duas culturas acaba lhe conferindo um tom renovador, quase humorístico, sobre a identidade feminina e seus múltiplos condicionamentos hoje em dia", justifica a autora. Nunca pretendeu ofender sua própria religião, disse.
Publicado
por <$Thomaz Magalhães$> em Sexta-feira, Março 24, 2006
Comente
aqui:
Quinta-feira, Dezembro 15, 2005
Vivendo
Na praia, sentado na rede, lendo. Ela pergunta se eu gosto da porta de correr com vidros bisotados ou se os preferia lisos. Eu só preciso parar de ler para ouvir. Para falar, não. Falo automaticamente, quase como escrevo. Respondi não saber se queria abrir mão do charme do bisotado, e que tudo bem, aquele que trincou a gente troca, é mais caro, mas é menos que trocar todos. Mas se for o caso vale tentar, sempre dá certo quando você muda as coisas na casa, eu sempre acho que fica melhor. Tô lendo. E tipo vitral? Respondi que aí é outra coisa, precisa pensar, estamos na praia, escurece a sala, tem que ver o cabimento da obra, seu tema, precisaríamos saber mais a respeito para não ficar com cara de igreja, podíamos dar uma olhada nuns livros, depois eu pesquiso alguma coisa na internet para você criar em cima... Só aí já estou umas três páginas à frente, não é pouco para um texto de direito canônico. É que a Ana Júlia, ela continua, sabe aquela bonitinha que o marido quer vender a casa aqui para comprar outra em Campos?, - sei - tem um atelier e trouxe umas coisas em vidro muito legais, quer ir lá olhar? Não. Falar lendo, consigo. Andar, ainda não.
Publicado
por <$Thomaz Magalhães$> em Quinta-feira, Dezembro 15, 2005
Comente
aqui:
Domingo, Novembro 13, 2005
Viúvo do Muro de Berlin
E me vem agora o seu Saramago, no mais fiel estilo da esquerda gasosa, cujo modelito no Brasil seria algo na linha de Marilena Chauí, Ideli Salvatti, Heloísa Helena & Stédile, querendo colar nos distúrbios da França a causa-slogan da desigualdade.
Coisíssima nenhuma, senhor. O que temos lá é conflito étnico, a intolerância e desrespeito dos franceses arrogantes com os imigrantes. Que, garotos adolescentes filhos de imigrados, mas nascidos na França, resolveram enfrentar a insolência francesa fazendo justiça apartada do Estado, que lhes permite a discriminação pelos seus funcionários públicos e pela população do andar de cima pela cor da pele, crença, etnia e uma pitada de ranço social. Porque moram bem, melhor que seus pais moraram em suas origens, e sabem disso. Estudam em escolas públicas razoáveis, são assistidos pela saúde e só querem Justiça condizente com a condição de nascidos no país. Não temos disso no Brasil, não com raça e crença. Aqui, camarada, todos nos sentimos nascidos em berço esplêndido.
Saramago, chegando aos 83 anos na próxima semana, comentou que o mundo se dirige para um "tremendo conflito", a menos que as condições de vida para as pessoas que vivem na pobreza melhorem. Não é pobreza não, cumpanheiro Saramago, Prêmio Nobel de Literatura que está lançando seu "As intermitências da morte" pelas europas. Esses garotos têm dinheiro para ler seus livros e tantos outros. A coisa está mais para racismo. Seu alerta não vale aqui. E seu viés ideológico não tem mais cabimento lá também.
Publicado
por <$Thomaz Magalhães$> em Domingo, Novembro 13, 2005
Comente
aqui:
Entrevista
Sentado no gazebo de sua suntuosa casa em São Paulo, dedo apontando para a câmara de Amaury Jr que o entrevistou à chegada de Campos do Jordão, onde se recuperou, comeu pastel e cerveja após 40 dias sob custódia na Polícia Federal, Paulo Maluf diz, olho também na câmara, nominando promotores que o denunciaram: "Por quê vocês não bloquearam a conta do doleiro Biriguí, com 160 milhões de dólares, que dizem meus mas está na conta dele, pedindo a repatriação do dinheiro?" E emendou seu slogan, "se provarem meu o dinheiro, já disse, são da Santa Casa".
Maluf é convincente, todo mundo sabe. Lembrou que a conta que dizem sua, chanany, - ele diz que não é - tem o nome das filhas do Birigui, uma chama chá e outra nany. Estudam na Europa, ele tem propriedades fora do país, e coisa e tal. Pergunta de novo: se o dinheiro está na conta, dedo em riste, olhando direto pra câmara, porque ela não é bloqueada e o dinheiro repatriado, seja de quem for? É a pergunta, diz olhando de novo pra câmara, que deixo para o povo fazer ao ministério público.
Mais pra frente, outra apontada de dedo pra câmara, não em riste, olhar menos duro, sorisso, ele comenta, "invadiram a Daslu com dezenas de homens armados, até metralhadoras, pegaram todos os computadores e levram embora; invadiram a Schincariol, as casas dos donos que sairam algemados, a fábrica e levaram todos os computadores. Porque não levaram os computadores do PT?, com informação sobre o caixa 2, que agora é dinheiro não contabilizado, após tucanarem o termo?!
Paulo Maluf é fogo, conduz entrevista como quer. Luís Inácio também, só que... Depois, Amaury Jr. lhe conta que o repórter Fausto Macedo do O Estado de São Paulo comparou José Dirceu a ele no Roda Viva e o Dirceu não gostou. E o senhor? Ele deu uma enrolada, falou que não assistiu porque na custódia a TV era desligada às 10 da noite, que o cara tem uma carreira, foi guerrilheiro mas depois foi deputado, presidente do PT, isso aquilo, portanto merece a chance de se defender como todo brasileiro. Paulo Maluf é fogo mesmo. Por algum motivo deu uma de joão-sem-braço contra Zé Dirceu. Até porque colocou ele, Marta Suplicy, Mercadante e Genoíno, assim de baciada em sua última campanha, com foto em Kombi do PT e tudo.
Maluf já deu o que tinha que dar, e não foi pouco, mas tudo indica que já vai tarde ou, melhor, que o país anda mudando. Olhando e rindo para a câmara comemorou, de novo, como sempre: todos os meus adversários não andam um quilômetro em São Paulo sem passar por obra minha, boa e acabada. E chamou os dois túneis que a Marta Suplicy fez nos Jardins, lugar mais caro e assistido por equipamentos públicos do país, de duas pinguelas. É verdade. E enchem d'água.
Publicado
por <$Thomaz Magalhães$> em Domingo, Novembro 13, 2005
Comente
aqui:
Na zona, não!
O Mike Tyson deu um peteléco no repórter-cinematográfico que insistia em filma-lo em uma "boate" paulistana. Boate? Bem, digamos que se use esse termo na imprensa, em respeito ao bom vernáculo e até aos costumes. Mas as próprias reportagens veiculadas em todas as emissoras, nos jornais noturnos de ontem informavam, de passagem, que Tyson se divertia com prostitutas. É isso aí, as duas casas que ele passou ontem, a primeira onde tomou o equipamento e bateu com a fita na cabeça do repórter, e na segunda, onde foi detido pela polícia, são casas de tolerância. Zona.
O termo anda em desuso, especialmente nas grandes centros do país, e nos últimos anos. Mas até algumas poucas décadas atrás era de uso corrente, não havia cidade brasileira sem zona. Lugar de respeito. Sim, pelo menos entre os frequentadores. Haviam regras, de etiqueta até. Não se comentava presença em zona. Na zona os cavalheiros podiam entrar nas casas, comer (comida) e beber sem se descobrir. Sem tirar o chapéu. E o revólver. Lugar de respeito, à privacidade. Sacasse alguém uma máquina forográfica, filmadoras eram incomuns, numa zona levava tiro, na certa. Lugar de respeito. Lá se iniciavam, sob os cuidados da família, os homens de bens, para orgulho das gentes de bem, com suas mulheres protegidas, graças aos serviços prestados pelas respeitosas, nesse sentido, putas. Hoje em dia as coisas mudaram. Mas zona é zona. Continua meio perigoso abordar ou filmar nelas. Jornalista novo precisa lembrar disso, principalmente se estiver trabalhando por esse brasilzão de Deus afora.
Publicado
por <$Thomaz Magalhães$> em Domingo, Novembro 13, 2005
Comente
aqui: